Valciãn Calixto moderniza o passado e lança o EP Macumbeiro 2.0

 


Já está disponível em todos os streamings o EP Macumbeiro 2.0, o mais novo lançamento do piauiense Valciãn Calixto, que vem na sequência dos discos FODA! (2016) e Nada Tem Sido Fácil Tampouco Impossível (2020).

“Macumbeiro 2.0 é um disco cem por cento terreiro, das letras à capa, aos samples e referências inspiradas por nomes da velha guarda como J. B. de Carvalho,  Os Tincoãs, Tião Casemiro, Orquestra Afro-Brasileira aos youtubers macumbeiros como Bhetania Lemme (in memoriam) e ainda contemporâneo a artistas como Afroito e Majur”, diz o músico, responsável pelos arranjos e todos os instrumentos gravados.

Valciãn Calixto de Pombagira

De cunho didático/pedagógico, Valciãn toca em pontos muitas vezes tabu, preconceituosos e racistas ao passo que analisa, reverência e cultua a espiritualidade afroindígena fortemente presente nos terreiros, em especial, os do Norte e Nordeste do Brasil, onde a Pajelança, o Terecô, o Tambor de Mina e da Mata se cruzam com vertentes da Umbanda, Candomblé, Jurema e um cristianismo popular.

O artista também discute a incorporação de ferramentas tecnológicas do nosso tempo como uso de celulares, lives, paredão de som, rádio ao dia a dia das macumbas, benefícios e cuidados que esses artifícios podem agregar. A capa do EP é uma representação disso, no qual um cenário de transmissão ao vivo com ringlight, notebook, pisca-pisca, um pai de santo incorporado e um congá são apresentados em perfeita harmonia.


O EP traz sete faixas, duas delas mais discursivas, sendo a abertura do disco com falas de Estamira e Bàbá King e o canto de pai Zé William, da Tenda Santa Bárbara, localizada no quilombo Morada Nova, Estado do Maranhão, como pano de fundo para o texto final de Calixto. Cada faixa também ganhou um lyric vídeo, onde é possível ver a representação de momentos ritualísticos como a defumação, o banho de ervas e a incorporação de ancestrais encantados.

O trabalho reflete ainda novos aprendizados vividos por Valciãn. O artista aprendeu a tocar cavaquinho para gravar a faixa Exu Não É Diabo (Èsú Is Not Satan) e teve de aprender a mixar e masterizar o próprio trabalho. Lançado neste 16 de agosto, uma segunda-feira, dia em que o Exu Tranca Ruas é homenageado e mês dedicado ao Orixá Obaluaê, o músico tem no EP uma forma de viver a macumba além das paredes físicas do terreiro nessa pandemia.

OUÇA AQUI O EP:

 


Ficha Técnica:

Produção e Foto de Capa: Eryka Alcântara;

Arte Final Capa: Valciãn Calixto;

Vozes, arranjos e instrumentos: Valciãn Calixto;

Backing Vocals: Eryka Alcântara;

Gravado, mixado e masterizado por Valciãn Calixto entre junho de 2020 e julho de 2021 no Calistúdio, home studio do artista em Teresina-PI;

Sample em Fala Majeté: Estamira (2006), documentário de Marcos Prado; entrevista com  Doutor em Sociologia e Babalorixá King Oduduwa para o programa Estrelando;

Sample em Exu Não é Diabo: Menina Eu Vou Dizer - Samba de Coco Irmãs Lopes; Fora Bolsonaro - Dona Palmira da Paraíba;

Sample em Desmistificando Pombagira: Bhetania Lemme (in memoriam); versão YouTube contém sample de J. B. de Carvalho;